Trabalhei com este filme com várias turmas do Curso Normal tanto no Instituto Estadual de Educação Assis Brasil como no Colégio Municipal Pelotense (confira em: CMP:17/05/2001). O tema do filme é bem complexo, dirigido pelo diretor Alain Berliner aborda a questão da sexualidade na ótica da homossexualidade/transexualidade e toda a complexidade e preconceitos por parte de nossa sociedade. Conduzido de forma delicada, retrata a história de LUDOVIC FABRE, um garoto interpretado com maestria por George DuFrense. Garoto de sete anos que não se reconhece como menino, se comporta e age como se fosse menina. Desta forma, conflitando a família, vizinhos, escola e toda a comunidade, inclusive interferindo no ambiente de trabalho de seu pai. Que aliás, para amenizar os constrangimentos causados, seus familiares afirmam ser tudo uma brincadeira do menino. Um filme que vale a pena ver e rever.
Sempre que uso esse filme, resgato com as alunas alguns referenciais teóricos, questionando sobre gênero, sexualidade, normatividade, heteronormatividade, homossexualidade, questões morais, religiosas, políticas e ações políticas e a importância de trabalhar nas escolas a homofobia. Reafirmando o que estou falando, podem encontrar neste BLOG projetos que venho trabalhando, inclusive alguns companheiros professores do Curso, somam-se na tentativa de abordar esse tema muito relevante e que muitas vezes, posta-se silenciosamente no ambiente escolar. 
Com vários momentos significativos existentes neste filme no qual um deles é quando a mãe num gesto desesperado de “resolver” o conflito de personalidade/identidade do menino resolve, contra a vontade do garoto, cortar seu cabelo bem curto. Outro momento significativo, para mim, é quando a família resolve se mudar e quando estão partindo, o vestido que LUDOVIC teimava sempre em usar, voa, e cai ao pés do menino (vizinho), o qual ele sempre dizia que iria se casar. Bom, tento resgatar com minhas alunas alguns textos de Foucault, no intuito de resgatar esse “outro” e contrapor com o biopoder e a normatização citadas em suas obras. Mas não fico só em Foucault, outros autores como Guacira Louro, Georges Canguilhem entre outros. Também aproveito para trabalhar a influência da mídia, da estética, rompendo e provocando a discussão de perceberem a possibilidades de existir outros corpos, outros sujeitos, outras formas de ser não “inventadas” e imposta pela sociedade em que vivemos.